Nossa Opinião: O tempo perdido do governo do Rio na Educação
O governo do estado do Rio de Janeiro adotou o slogan “Sem tempo a perder”. Mas, tudo indica que, para variar, é apenas uma propaganda sem nenhuma preocupação com a realidade.
Segundo a propaganda, o retorno dos estudantes às escolas é indicado, pois elas são servidas de banda larga. Mentira.
Lembramos ao governador Cláudio Castro que, realmente, todas as escolas estaduais deveriam ter acesso gratuito à banda larga de qualidade (velocidade igual a melhor oferecida na região), já que essa é uma obrigação da Oi desde 2008. Só que, como mostramos por diversas vezes, isso não ocorre. Por culpa da Anatel, que não fiscaliza, e dos governos estaduais/municipais que não cobram esse direito.
Vale lembrar, também, que o acesso à internet é definido no Art. 7º do Marco Civil da Internet, Lei 12.965, como essencial ao exercício da cidadania.
Agora, vamos ver alguns exemplos de escolas estaduais que recebem “banda larga”, segundo a Oi, fornecida por ela. Banda larga com velocidade irrisória.
1) Escola Cuba no Zumbi, Ilha do Governador – velocidade 2 Mbps
2) Escola Aldebarra, Santa Cruz – velocidade de 2 Mbps
3) Escola Reverendo Martin Luther King, Praça da Bandeira – velocidade de 5 Mbps
4) Escola Julia Kubitschek , Centro – velocidade de 2Mbps
5) Escola México, Botafogo – velocidade de 2 Mbps
Além disso, mesmo que houvesse banda larga em todas escolas estaduais, o que não ocorre, seria insuficiente. É preciso, antes responder a algumas questões:
. Qual a infraestrutura de cada escola em relação a computadores, notebooks etc.?
. Na outra ponta, ou seja, na casa dos estudantes da rede estadual há conectividade fornecida pelo governo estadual? Como foi o estudo a distância durante a pandemia? Houve alguma preocupação do governo estadual em fornecer essa retaguarda? Tudo indica que não.
O governo do Estado do Rio de Janeiro com o slogan “Sem Tempo a Perder” quer demonstrar que executa uma administração eficiente. Na verdade, gasta recursos públicos de forma ineficiente, deixando alunos sem acesso à internet tanto nas escolas estaduais quanto na casa deles. O governo estadual poderia perder um pouco mais de tempo para executar corretamente uma política pública essencial, e menos com propaganda enganosa.
Instituto Telecom, Terça-feira, 7 de dezembro de 2021